REDAÇÃO G1
A Rússia utilizou drones de propulsão a jato, mais potentes que os normais, para atacar Kiev, na Ucrânia, e arredores da capital ucraniana nesta terça-feira (1º), segundo o governo local. Ao menos 12 pessoas morreram com os ataques.
Em retaliação, a Ucrânia bombardeou um dos principais portos da Rússia (leia mais abaixo).
Drones de propulsão a jato são artefatos que funcionam com motor a jato. Isso faz com que os drones ganhem velocidade similiar à de um míssil de cruzeiro e os torne, além de mais rápidos, mais difícil de serem combatidos por sistemas antimísseis.
De acordo com autoridades locais, o ataque atingiu edifícios residenciais e ocoreu no mesmo dia em que crianças e jovens ucranianos voltaram às aulas após as férias de verão.
Oito pessoas morreram eem Kiev, sete delas em um depósito ferroviário e em outras estruturas próximas que foram atingidas, informou o diretor do sistema de ferrovias da Ucrânia, Oleksandr Pertsovskii.
As outras quatro morreram em Borispil, a 30 km da capital, após um edifício residencial de cinco andares ser atingido, segundo Zelensky. Treze pessoas ficaram feridas na localidade.
“No total, 12 pessoas morreram, incluindo um cidadão indiano, e dezenas ficaram feridas no ataque”, afirmou o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky. Zelensky afirmou que mísseis balísticos também foram usados no ataque.
Zelensky voltou a pedir aos aliados que forneçam mais recursos de defesa aérea, para permitir a proteção do país dos ataques russos executados diariamente.
“A Rússia sempre calcula seus ataques exatamente dessa forma, para destruir ao máximo a vida, e isso só é possível quando os meios de defesa antiaérea são insuficientes. Sou grato a todos que ajudam a Ucrânia a obter mísseis antibalístico (…), e é muito importante que esses envios aumentem no outono”, disse o precisdente ucraniano.
A Ucrânia sofre com a escassez de mísseis interceptadores, em particular dos americanos Patriot, desde o início da guerra no Oriente Médio, para se defender contra os projéteis russos.
Rússia fala de ‘ataque com armas de alta precisão’
O governo russo ainda não havia confirmado o uso de drones de propulsão até a última atualização desta reportagem, mas o Ministério da Defesa da Rússia falou de um “ataque em larga escala com armas de alta precisão de longo alcance”, sem confirmar o time de armas.
A pasta negou ter atingido alvos civis e disse que as forças russas bombardearam “empresas do complexo militar-industrial, assim como infraestruturas energéticas relacionadas ao fornecimento de combustível às Forças Armadas da Ucrânia”.
Moscou também disse ter bombardeado instalações na região sul de Odessa e nos portos de Odessa e Chornomorsk.
A Força Aérea ucraniana, que não divulga o número exato de mísseis russos lançados, afirmou ter neutralizado cinco mísseis balísticos, cinco de cruzeiro e dois mísseis-drones híbridos do tipo Banderol.
Também apontou que a Rússia lançou 218 drones de diferentes tipos e que 187 foram interceptados.
Porto russo incendiado
Os últimos ataques aconteceram no momento em que a Ucrânia enfrenta uma campanha aérea russa cada vez mais intensa, o que provoca alertas repetidos, interrompe atividades comerciais e motivou a adoção de protocolos de segurança mais rígidos para o novo ano letivo.
Nesta terça-feira, na Rússia, também foi registrado um incêndio no importante porto de Ust-Luga, no Golfo da Finlândia, que foi alvo de um ataque com drones, anunciou o governador da região de Leningrado, Alexander Drozdenko.
“Houve danos na área do porto de Ust-Luga em consequência do ataque com drones e um incêndio está em curso”, escreveu Drozdenko na plataforma de mensagens Telegram. Ele afirmou que 52 drones ucranianos foram abatidos na região, sem o registro de vítimas.
O porto, uma infraestrutura crucial para as exportações russas de fertilizantes, petróleo e carvão, foi alvo de vários ataques de drones ucranianos nos últimos meses.



