12 de setembro de 2026 5:00 PM

A leveza de ser cafona

Acervo Pessoal

“Fernanda, eu sou muito cafona!”. Essa foi a frase que uma amiga me escreveu esses dias durante uma conversa pelo WhatsApp. Ela falava, resumidamente, sobre a forma que demonstra amor pelo namorado.

Confesso que divido o mesmo sentimento. Sou extremamente brega. Faço poemas com rimas que nem são tão raras.

Sou tão cafona que escreveria um artigo para “dar de presente de aniversário” para o meu companheiro. Aí eu te questiono: o que tem de mau nisso?

Em algum momento da vida, aprendemos que demonstrar afeto demais não é bom, principalmente as mulheres. Somos julgadas, até mesmo por outras mulheres, e ganhamos a pecha de “emocionadas”. Mas o que tem de mau nisso?

Não sou psicóloga e nem conheço algum estudo que vá confirmar o que vou escrever agora, mas, em algum momento da vida, entendemos que demonstrar demais é sinônimo de fraqueza. E, devido a algumas experiências ruins, aprendemos que muita demonstração é vista como dependência do parceiro, carência ou algum tipo de desregulação.

Veja bem, não estou dizendo que, no primeiro beijo, um “eu te amo” já merece ser dito ou que um pedido de casamento deva ser feito, ou pior, que deva ser aceito em uma semana.

Também levo em consideração as experiências difíceis e até traumatizantes que muitos de nós já tivemos. Além disso, ainda há a dificuldade de encontrar pessoas emocionalmente disponíveis e dispostas, afinal, ter uma relação depende desses itens.

Ainda existe o medo de se entregar e errar de novo. Os relatos de algumas amigas me confirmam isso. Algumas delas decidiram, ou foram “forçadas” a decidir, repetir para si mesmas que não desejam mais criar vínculos. Não julgo. Acho que é possível ser feliz sozinho, mas, como uma taurina romântica, acredito que ser feliz acompanhada por um companheiro de verdade possa ser melhor ainda.

Antes que a mensagem fique perdida neste texto longo, quero deixar meu conselho, que não vale nada ou pode valer muito. Você é quem decide.

Para quem acompanha meus artigos, já sabe que se amar é a parte mais difícil, mas ainda é a principal tarefa de casa. Porém, tente não fazer disso uma missão cansativa, punitiva ou até mesmo solitária, porque a busca é quase eterna.

E se, no meio do caminho, você encontrar alguém que te respeite, que aja com reciprocidade, tenha disponibilidade emocional e, o principal, que tenha vontade: abra o coração.

Tem gente que espera a vida toda pelo parceiro ideal, pela fase da vida mais propícia ou pelo momento perfeito. Entretanto, a pessoa especial pode ser aquele amigo que você conhece há dez anos, mas com quem nunca se deu uma chance. Aquela relação saudável que você tanto quis pode ser a que vai começar em um beijo, na porta do carro. Talvez o amor chegue na sua vida no momento em que você ainda está aprendendo como é ter amor próprio. Inclusive, essa pessoa pode te ajudar nesta busca quase inalcançável.

Enfim, vá aos pouquinhos ou vá “emocionado”, mas vá. Deixa, deixa o amor te dar sorte.

FERNANDA ESCOUTO | é jornalista

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