A vida é dual vivencia-la em sua plenitude é a receita inteligente. Fantasia e realidade são as notas mirabolantes da música em sintonia com a sabedoria.
Estagnar numa nota só é perder o ritmo da existência.
Vem, porém, a alma humana instrumento vital ao homem que tem como habitat natural a noite. É nela, que no orifício da alma, penetra a água da vida que sustenta a saúde psíquica. Deve desfilar, soberbamente, na passarela da existência com a desenvoltura de uma bailarina clássica.
Possuem a elegância das estrelas e o romantismo da lua. Porém, sabemos que os dias são hierarquizados e verticalizados. A noite é homogênea e sem hierarquia.
O dia é para racionalidade como a noite é para os sonhos das almas famintas.
Enxergar a realidade, sob a claridade do sol escaldante, nos faz instrumento consistente de conquistas de vitórias racionais. Mas, nunca devemos expulsar de nosso radar, a leveza da alma, que caminha rasteiramente como animais deixando marcas, para os caçadores humanos o perseguir. As marcas das almas são clarividentes, que somente o homem decifra com sua unicidade.
A alma tem sede de sonhos e da grandeza imaterial humana, capaz de voar no espaço da lógica racional.
Transforme-se venha beber a água mágica da noite, pois somente assim estará preparado para enfrentar com dureza a rusticidade cansativa da fonte quase seca do dia.
A alma não tem preço, para vivenciar com realismo a rusticidade do dia, apenas a magia da noite com sua riqueza vivencial.
JUAREZ ALVARENGA | é advogado e escritor



