21 de outubro de 2026 4:09 PM

Foto: TV Globo

ONU cobra investigação sobre possível favorecimento eleitoral pela Meta no Brasil

Observadores apontam relatos de diferenças no alcance de publicações, visualizações, resultados de busca e geração de imagens por IA.

REDAÇÃO G1 

Especialistas independentes da ONU cobraram nesta quarta-feira (21) que a Meta (dona do Facebook, WhatsApp e Instagram) investigue se seus sistemas de moderação, recomendação e inteligência artificial restringiram de forma desproporcional conteúdos ligados a um dos lados da disputa eleitoral no Brasil.

A manifestação ocorre após relatos de usuários apontarem que a IA do WhatsApp se recusava a criar imagens da campanha de Lula (PT), enquanto aceitava solicitações semelhantes relacionadas a Flávio Bolsonaro (PL). O caso levou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a cobrar explicações da Meta, que afirmou, na terça-feira (20), ter cumprido as determinações da Corte para garantir tratamento isonômico no 2º turno.

Os observadores da ONU ressaltam que as plataformas online são “atores fundamentais no debate democrático” e que restringir o alcance de determinadas contas afeta o acesso à informação e a liberdade de associação, além de comprometer as próprias eleições.

Segundo os observadores da ONU, entre os incidentes relatados estão:

interrupções temporárias da conta de campanha de um dos candidatos;

diferenças no engajamento do público, nos feeds dos usuários, na contagem de visualizações e no alcance;

restrições a publicações da campanha no Instagram;

e diferenças entre os principais partidos políticos na geração de imagens por IA, nos resultados de busca de canais do WhatsApp, nos Stories dos candidatos e na distribuição de conteúdo político.

“Algoritmos, sistemas de IA e decisões de moderação de conteúdo não devem se tornar árbitros invisíveis da discussão política. Quando a expressão política parecer estar sendo restringida de maneira desproporcional, as plataformas devem explicar o motivo, corrigir impactos desiguais e garantir recursos efetivos”, afirmam os especialistas.

Os observadores defendem que a Meta reavalie seus sistemas de moderação, recomendação e IA para verificar se a plataforma restringiu um dos lados da disputa eleitoral de forma desproporcional.

“A democracia e eleições livres e justas dependem de plataformas independentes e consistentes, bem como de um ambiente aberto e pluralista, onde as pessoas possam acessar informações, fiscalizar quem busca o poder, trocar opiniões e se organizar sem interferências arbitrárias”, concluíram os especialistas.

A nota é assinada por nove especialistas independentes em direitos humanos ligados ao Conselho de Direitos Humanos da ONU.

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