30 de julho de 2026 5:00 AM

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Lula chama ataques de Milei de “papaguada” e evita confronto direto

Petista afirmou que manterá uma relação institucional com a Argentina e que não pretende trocar ofensas com o chefe de Estado vizinho.

JÚLIA CHRISTINE | VINÍCIUS CASSELA | CARINA BENEDETTI | G1 


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse nesta quarta-feira (29) que as falas do presidente argentino Javier Mileiforam uma “patacoada”.

Vocês viram aqui a papaguada [sic] que fez aqui o presidente da Argentina. Eu não falei nada, porque a minha relação é uma relação de chefe de Estado com o Estado. E eu gosto do povo argentino e não vou ficar trocando coisa com aquela coisa. E não adianta falar bravo, porque eu não vou ficar bravo. O cara fez cara feia eu faço cara bonita. O cara demonstra ódio eu demonstro amor”. 

A fala do presidente foi durante a convenção nacional do PSB, que confirmou Geraldo Alckmin como vice-presidente na chapa do petista à reeleição.

Milei participou da convenção nacional do PL que oficializou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) como candidato à Presidência da República. Durante seu discurso na convenção, Milei fez ataques diretos a Lula e ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.O argentino chamou Lula de “presidiário” e Moraes de “lixo careca”. As declarações provocaram uma reação imediata do Itamaraty, que convocou o embaixador argentino em Brasília para prestar esclarecimentos. Também chamou de volta o embaixador brasileiro em Buenos Aires para consultas.

Durante o discurso, Lula citou ainda o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O petista afirmou que o presidente norte-americano “fica querendo brincar comigo”.

“Eu não quero brincar com eles. Nem eu morrendo no socorro. O cara diz que tem os maiores navios do mundo. O cara diz que tem as maiores bombas atômicas do mundo. Tem os maiores aviões do mundo. Tem o maior exército do mundo. Eu quero brincar com eles, porra? Eu só tenho vocês, cara.”

“Eu quero paz. Eu quero paz e quero derrotá-los na narrativa. Eu quero fazer a guerra da narrativa: quem está falando a verdade ou quem está falando a mentira”, completou Lula.

Discurso em evento do PL

Javier Milei foi um dos convidados que discursaram na convenção do PL. Ele esteve em São Paulo para o evento.

Em um discurso inflamado, o presidente argentino fez críticas ao socialismo, valorizou a chamada “onda azul” na América do Sul e chamou o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, de “lixo careca” após ter negada uma visita ao ex-presidente Jair Bolsonaro.

Milei também associou a candidatura de Flávio ao que chamou de uma transformação política em curso na América Latina e chamou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de “presidiário”.

Segundo ele, países da região estariam abandonando governos de esquerda e adotando políticas liberais na economia, movimento ao qual o Brasil poderia se juntar.

Na última semana, a defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro pediu autorização ao ministro Moraes, que é relator do caso, para o encontro com o argentino. Moraes negou a solicitação.

No discurso durante o evento, Milei criticou a negativa. “A Justiça brasileira não me permitiu visitar meu amigo injustamente encarcerado, quando Lula se cansou de receber dirigentes estrangeiros enquanto esteve preso, entre eles o então presidente da Argentina, Alberto Fernández”, continuou.

“Isso não é nada além de mais uma clara demonstração da injustiça de sua detenção e do caráter vingativo de seus responsáveis”, completou.

Horas depois da declaração, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, reagiu às falas de Milei e afirmou que as declarações do presidente da Argentina sobre o ministro Moraes são uma “referência desrespeitosa a magistrado da mais alta Corte do País, feita em solo brasileiro”.

“Tomei conhecimento da declaração do Presidente da Argentina sobre Ministro do Supremo Tribunal Federal. Trata-se de referência desrespeitosa a magistrado da mais alta Corte do País, feita em solo brasileiro, por ato jurisdicional praticado conforme a Constituição e as leis da República Federativa do Brasil”, afirmou Fachin.

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