REDAÇÃO G1
O Registrador Nacional da Colômbiainformou, nesta terça-feira (23), que a contagem final dos votos da disputa presidencial do fim de semana divergiu em apenas 0,003% das cédulas em relação à apuração inicial.
Isso significa que não existe divergência significativa entre a contagem inicial, que havia apontado a vitória do candidato de direita Abelardo De La Espriella, e a apuração oficial dos votos, segundo o órgão eleitoral colombiano (leia mais abaixo).
Na apuração inicial, De La Espriella liderava a disputa com uma vantagem inferior a 1% sobre o esquerdista Iván Cepeda, tendo obtido 49,6% dos votos.
Cepeda havia declarado que aguardaria a verificação final da contagem pelas autoridades eleitorais antes de reconhecer o resultado. Ele havia indicado também que pediria recontagem devido à diferença mínima de votos.
O escrutínio é parte do processo de apuração dos votos em eleições na Colômbia. Nessa etapa, o Conselho Nacional Eleitoral — principal autoridade eleitoral do país — checa a contagem dos votos feita após o fechamento das urnas. E é realizado em sessões com a presença de representantes e advogados dos partidos concorrentes, além do Ministério Público do país.
As sessões do escrutínio também checam inconsistências ou pedidos de recontagem de votos que não tenham sido resolvidos na primeira etapa da apuração dos votos, chamada de “pré-contagem”.
Só depois disso, o resultado oficial é então proclamado.
A apuração preliminar dos votos na Colômbia apontou que o advogado e empresário de direita Abelardo de la Espriella venceu o pleito por uma margem apertada. Segundo a apuração Espriella tinha 12.959.542 votos, contra 12.708.712 angariados por Iván Cepeda.
Historicamente, segundo a imprensa colombiana, a diferença de votos entre a pré-contagem e o escrutínio dos votos é mínima e, caso ocorra, não costuma ser representativa.
O escrutínio começou nesta manhã, e o CNE disse que o processo deve ser concluído entre esta terça e quinta-feira (25).
Pedido de impugnação
O candidato esquerdista à presidência na Colômbia, Iván Cepeda, anunciou que seu partido pedirá a impugnação de 33 mil mesas eleitorais, após a apuração inicial indicar vitória de seu adversário, Abelardo de la Espriella nas eleições do país.
A Colômbia voltou às urnas no domingo (21) para o 2º turno das eleições presidenciais, disputado por Cepeda e Espriella. Até a última atualização desta reportagem, 99,99% das urnas haviam sido apuradas, e a contagem inicial indicou a vitória de Espriella.
Segundo Cepeda, juristas que atuaram como observadores de seu partido em diferentes seções eleitorais encontraram erros em 33 mil mesas — na Colômbia, cada mesa eleitoral pode ter até 300 votos.
A contagem inicial aponta uma diferença de cerca de 250 mil votos entre os dois candidatos.
Na Colômbia, a impugnação de votos ocorre quando há suspeitas de erros técnicos ou irregularidades na votação ou apuração dos votos. Os partidos que concorrem podem solicitar a impugnação durante a fase de apuração. Uma comissão da Justiça eleitoral analisa então o pedido e, caso o aceite, reconta as urnas das mesas indicadas no processo de impugnação.
No discurso após os resultados preliminares, Cepeda disse ainda que reconhece a apuração inicial, mas que aguarda a contagem total e o processo de impugnação. O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, também disse que é preciso esperar o resultado final.
A imprensa local espera que a apuração dos votos seja concluída ainda nesta segunda-feira.
Apuração preliminar
Ainda na fase da pré-contagem, Espriella celebrou a vitória vestido com a camiseta da seleção colombiana e defendeu acordos militares com os Estados Unidos para combater o crime organizado. “Hoje, a Colômbia venceu o seu jogo mais importante”, afirmou.
Já Cepeda fez um pronunciamento a apoiadores e afirmou que não trata o resultado como oficial e que vai aguardar o escrutínio. “Com o escrutínio oficial, reconheceremos o resultado.”
Nas redes sociais, o presidente Gustavo Petro afirmou que nenhum resultado deve ser considerado oficial até a conclusão do escrutínio.
“Não se pode proclamar nenhum presidente. É o escrutínio que determina quem é o presidente. Obedeço aos juízes. Tranquilidade aos cidadãos, por favor. A realidade nos mostra um país partido ao meio, e ingerência estrangeira nos tira a liberdade. Impõe-se um acordo nacional se queremos manter a pátria e a paz nos anos que estão por vir”, escreveu Petro.
O triunfo do direitista Espriella representa uma guinada no país após o governo Petro, primeiro presidente de esquerda da história da Colômbia.



