20 de junho de 2026 3:32 PM

Raoni deixa UTI em Mato Grosso e seguirá tratamento na capital paulista

Principal hipótese diagnóstica é sepse com foco pulmonar, causada por pneumonia broncoaspirativa.

Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil.

G1 MT

 

O líder indígena Raoni Metuktire, de 94 anos, foi transferido de avião do Hospital Dois Pinheiros, em Sinop, a 503 km de Cuiabá, para o Hospital São Paulo, hospital da Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Ele estava internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) desde o último domingo (14) e agora seguirá o tratamento na capital paulista.

Segundo o hospital, a decisão pela transferência foi tomada com o objetivo de assegurar a continuidade da assistência em unidade de referência para o acompanhamento cirúrgico do paciente.

“Desde sua saída da UTI, em Sinop, até o embarque em um hangar anexo ao Aeroporto Presidente João Batista Figueiredo, com destino à capital paulista, o cacique Raoni foi acompanhado pelo médico Douglas Yanai, integrante da equipe assistencial do Hospital e Maternidade Dois Pinheiros”, informou o hospital.

No domingo, os exames iniciais de Raoni apontaram alterações na função renal e indicadores compatíveis com um processo infeccioso grave. A principal hipótese diagnóstica é de sepse com foco pulmonar, causada por uma pneumonia broncoaspirativa associada a episódios de vômito.

Segundo o diretor técnico do hospital, Douglas Yanai, apesar do histórico médico de Raoni, “ele é um homem forte, mas que é muito importante continuar tendo atenção”.

“Acho sempre importante a gente lembrar que ele é um homem muito forte. Se nós olharmos o histórico dele, das internações anteriores, a gente pode dizer isso, porque conhece e acompanha a saúde dele desde 2017, quando o conhecemos a primeira vez […] ele é uma pessoa que já teve as suas intercorrências de saúde ao longo da vida, e como um homem da idade que ele tem, ele tem uma saúde um pouco mais frágil, embora nesse momento esteja bem”, disse.

Em maio deste ano, Raoni foi internado no mesmo hospital após sentir fortes dores na barriga devido à uma hernia antiga, mas recebeu alta médica após dois dias de tratamento. Cinco dias depois, Raoni voltou a apresentar complicações de saúde e foi novamente para a UTI para tratar um quadro de pneumonia, onde permaneceu por mais sete dias.

Segundo a unidade de saúde, o líder indígena apresentava múltiplas comorbidades, entre elas Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC), cardiopatia com marcapasso implantado e insuficiência cardíaca.

Em setembro de 2022, ele chegou a ficar internado por cinco dias no hospital de Sinop, após ser diagnosticado com um problema cardíaco e passar por cirurgia para implante de marcapasso. Depois, passou alguns dias no município de Colíder até voltar para a aldeia.

Além disso, em julho de 2020, o cacique foi internado em um hospital de Colíder após ter passado mal. Ele chegou a ser transferido de avião para Sinop com complicações gastrointestinais e desidratação.

Em setembro do mesmo ano, foi novamente internado com diagnóstico de pneumonia pela equipe médica de sua aldeia, no Parque Indígena do Xingu. À época, recebeu alta médica nove dias depois. Ainda neste período, também apresentou um quadro depressivo após a morte da mulher dele, Bekwyjkà Metuktire.

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