GIOVANNA BAIOCCO | G1 MT
A estudante de Direito Thainá Alves relatou ter sido vítima de agressões físicas, verbais e ameaças cometidas por policiais militares no interior de sua própria casa, no Bairro Novo Horizonte, em Cuiabá, no último domingo (9). O relato da jovem foi divulgado por ela nas redes sociais e o caso foi registrado na Delegacia da Mulher, no bairro Planalto.
Ao g1, Thainá informou que o episódio teve início quando foi acordada pelo barulho de disparos de arma de fogo e percebeu a presença de viaturas na rua. Ao verificar o movimento, ela avistou policiais no quintal de sua propriedade. Segundo a jovem, os agentes alegaram que suspeitos de tráfico de drogas teriam corrido em direção ao imóvel.
Ao tentar colaborar com a equipe policial e abrir a porta de casa, a jovem afirma ter sido surpreendida com uma abordagem violenta.
Thainá disse que, já no interior da residência, os policiais passaram a exigir nomes de pessoas que supostamente estariam na frente do imóvel, desconsiderando a declaração da moradora de que estava dormindo e não conhecia nenhum suspeito.
“Ele me deu dois tapas na cara, que foi a hora que cortou a minha boca por dentro. […] Ele falou que ele ia ditar o que iria acontecer naquele momento, que ele iria pegar a droga e jogaria em mim, e eu iria ser presa por tráfico de drogas”, acrescentou.
Durante a ação, o filho de Thainá acordou com o barulho e presenciou a mãe ferida e ensanguentada, começando a chorar e pedindo para ir ao seu colo. A jovem tentou acalmar a criança e seguiu até o quarto da avó, que também presenciou parte da abordagem e questionou os policiais sobre o motivo da violência.
A estudante informou que a atitude dos agentes só mudou quando ela mencionou ter familiares integrantes das forças de segurança, identificando o pai como sargento da Polícia Militar. Após a declaração e a intervenção da avó, os policiais deixaram o local.
Atingida na região labial, Thainá buscou atendimento médico em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) e, posteriormente, em um consultório odontológico particular, onde recebeu orientações e medicação para a lesão interna.
A estudante ainda destacou o impacto psicológico do ocorrido e a sensação de insegurança:
O que diz a Polícia Militar
Procurada para prestar esclarecimentos sobre a conduta da equipe envolvida na ocorrência, a Polícia Militar de Mato Grosso informou, por meio de nota oficial, que a Corregedoria-Geral da corporação recebeu a denúncia nesta terça-feira (11) e abriu um procedimento para identificar os policiais envolvidos e apurar os fatos.
A PMMT afirmou que a investigação será conduzida “com máximo rigor” e reforçou que não compactua com casos de abuso de autoridade, violência ou qualquer outro tipo de crime cometido por integrantes da corporação.



