20 de agosto de 2026 7:12 AM

Calor extremo e ingestão insuficiente de água pode aumentar risco de pedra nos rins

Em Cuiabá, altas temperaturas favorecem a desidratação e exigem atenção maior com a ingestão de água

Foto: Reprodução

ASSESSORIA DE IMPRENSA 

 

As altas temperaturas registradas durante boa parte do ano em Cuiabá exigem atenção não apenas pelos efeitos imediatos do calor, mas também por problemas que podem surgir quando a perda de líquidos não é compensada adequadamente. Entre eles estão os cálculos renais, popularmente conhecidos como pedras nos rins.

Segundo o Dr. Jonathan Feroldi, nefrologista e coordenador da Linha De Cuidados em Clínica Médica do Hospital Santa Rosa, o principal elo entre o calor e a formação dos cálculos é a desidratação. Nos dias mais quentes, o organismo perde mais água pelo suor e também pela respiração. Quando não há reposição suficiente, o volume de urina diminui e ela se torna mais concentrada.

“Substâncias normalmente presentes na urina, como cálcio, oxalato e ácido úrico, ficam mais concentradas e podem se agrupar, formando pequenos cristais. Esses cristais podem crescer progressivamente até originar uma pedra”, explica.

O médico destaca que o calor não provoca diretamente o deslocamento de uma pedra que já esteja formada no rim, mas temperaturas elevadas estão associadas a maior ocorrência de cólica renal. Em uma cidade marcada por períodos prolongados de calor e baixa umidade, como Cuiabá, alguns grupos podem ficar ainda mais expostos à desidratação.

É o caso de quem trabalha ao ar livre, pratica atividades físicas ou permanece por muitas horas em ambientes quentes sem reposição adequada de líquidos. No atendimento médico, Dr. Jonathan afirma perceber relação entre os períodos de maior calor e a procura por atendimento devido a sintomas urinários e cólica renal, mas ressalta que essa é uma percepção clínica e não significa que os casos ocorram apenas nas épocas mais quentes.

Isso porque um cálculo pode começar a se formar muito antes de provocar sintomas. Em alguns casos, a pedra permanece no rim por anos e só provoca a chamada cólica renal quando se desloca para o ureter, canal que conduz a urina do rim até a bexiga.

Urina mais concentrada aumenta risco

Quando a pessoa transpira muito e não repõe água, o organismo passa a preservar líquido. Com isso, os rins produzem um volume menor de urina, aumentando a concentração das substâncias capazes de formar cristais.

O nefrologista compara o processo ao que acontece quando uma mesma quantidade de sal é colocada em volumes cada vez menores de água.

“Chega um momento em que aquela solução fica muito concentrada e começa a precipitar. No rim ocorre um fenômeno semelhante. Quanto menor o volume urinário, maior a possibilidade de formação e crescimento dos cálculos”, explica.

Não existe, porém, uma quantidade única de água recomendada para todas as pessoas. A necessidade depende de fatores como peso, atividade física, exposição ao calor, intensidade da transpiração e condições de saúde.

Como orientação geral para prevenção de cálculos, Dr. Jonathan recomenda aproximadamente 2,5 a 3 litros de líquidos por dia, preferencialmente água. Em períodos de calor intenso ou para pessoas que trabalham ou praticam exercícios ao ar livre, essa necessidade pode ser maior.

A cor da urina também pode funcionar como um sinal auxiliar. Ao longo do dia, uma urina amarelo-clara e mais transparente tende a indicar uma hidratação adequada. Já pequenas quantidades de urina muito concentrada e amarelo-escura após várias horas de exposição ao calor podem indicar reposição insuficiente de líquidos.

O médico ressalta, entretanto, que a cor da urina não deve ser utilizada isoladamente, já que pode variar em função de medicamentos, vitaminas, alimentação e algumas doenças.

Sal é um dos principais vilões

Além da hidratação, a alimentação tem papel importante na prevenção. O consumo excessivo de sal aumenta a eliminação de cálcio pela urina, condição que pode favorecer a formação de cálculos, especialmente em pessoas predispostas.

“Não tem muita relação com o consumo de cálcio em si, mas sim com o consumo de sódio. E os ultraprocessados são particularmente problemáticos porque têm grandes quantidades de sódio, mesmo sem serem necessariamente salgados”, afirma.

O especialista também alerta para um mito comum: retirar leite e outras fontes naturais de cálcio da alimentação não é uma medida recomendada de forma indiscriminada para prevenir pedras nos rins.

O cálcio consumido durante as refeições pode se ligar ao oxalato ainda no intestino. Quando há uma redução exagerada do cálcio alimentar, uma quantidade maior de oxalato pode ser absorvida pelo organismo e posteriormente eliminada pela urina, aumentando o risco de formação de cálculos de oxalato de cálcio.

Já suplementos de cálcio, com ou sem vitamina D, precisam ser avaliados individualmente quanto à indicação, dose e horário de utilização.

Quando a dor exige atendimento

A cólica renal costuma surgir de maneira súbita e provocar dor muito intensa na região lombar, geralmente em apenas um lado. A dor pode irradiar para a parte inferior do abdome, virilha ou região genital. Náuseas, vômitos e sangue na urina também podem ocorrer.

Diferentemente de muitas dores musculares, o paciente com cólica renal frequentemente fica inquieto e não consegue encontrar uma posição que alivie o desconforto.

Alguns sinais exigem atenção ainda maior. Dor lombar intensa acompanhada de febre e calafrios pode indicar infecção associada à obstrução provocada pelo cálculo.

“Um rim obstruído e infectado é uma emergência urológica e, em alguns casos, necessita de abordagem urgente”, alerta o médico.

Redução importante da quantidade de urina, dor que não melhora com analgésicos, vômitos persistentes, piora importante do estado geral ou queda da pressão também são sinais para procurar atendimento médico rapidamente.

Pessoas com apenas um rim, gestantes, pacientes imunossuprimidos e aqueles que já possuem doença renal merecem atenção especial.

Diagnóstico e prevenção de novas crises

Na avaliação inicial, podem ser solicitados exames de sangue e urina para verificar a presença de sangue, sinais de infecção, função renal e outras alterações.

Entre os exames de imagem, a ultrassonografia pode ser utilizada como primeira avaliação em várias situações e tem a vantagem de não utilizar radiação. Ela permite identificar cálculos nos rins, dilatação do sistema urinário e sinais indiretos de obstrução.

Já a tomografia de abdome e pelve pode ser necessária quando há dúvida no diagnóstico ou quando é preciso determinar com maior precisão o tamanho e a localização da pedra, o grau de obstrução ou investigar outras causas de dor abdominal e lombar.

Para quem apresenta episódios recorrentes, a investigação não deve terminar quando a dor desaparece. O acompanhamento pode incluir o chamado estudo metabólico, com exames de sangue e análise da urina coletada durante 24 horas para avaliar, entre outros fatores, volume urinário, cálcio, oxalato, citrato, ácido úrico e sódio.

Quando o paciente consegue eliminar a pedra, a análise da composição do cálculo também pode ajudar na definição de estratégias específicas de prevenção.

No Hospital Santa Rosa, o atendimento pode envolver diferentes áreas conforme
a necessidade de cada paciente. A estrutura conta com Pronto Atendimento
Adulto e Infantil, exames laboratoriais e de imagem, como ultrassonografia e
tomografia, além de avaliação com especialista, quando indicada. Nos casos
que necessitam de maior suporte, o paciente pode ser encaminhado para
intervenção no Centro Cirúrgico, internação ou Unidade de Terapia Intensiva.

Após a fase aguda, Clínica Médica e Nefrologia podem acompanhar o paciente, investigar fatores relacionados à formação dos cálculos e orientar estratégias para reduzir o risco de novos episódios.

Nos quadros mais graves, como lesão renal aguda ou sepse, a estrutura também dispõe de terapia renal substitutiva em ambiente de terapia intensiva, incluindo modalidades contínuas de hemodiálise.

Para enfrentar os períodos de calor, Dr. Jonathan resume a prevenção em três cuidados principais para quem já teve cálculo renal: distribuir a ingestão de água ao longo de todo o dia, aumentando a reposição nos períodos de maior calor e transpiração; reduzir o consumo de sal, principalmente dos alimentos ultraprocessados; e evitar o excesso de proteínas.
“Principalmente em uma região quente como a nossa, hidratação precisa virar hábito. E falo isso não apenas como nefrologista, mas também como alguém que teve cálculo renal: é muito melhor prevenir uma nova crise do que passar por novos episódios de cólica renal”, conclui.

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