12 de agosto de 2026 6:51 AM

Três vereadores são presos por suspeita de ligação com facção

Operação cumpre 14 mandados de prisão e apura suspeita de influência de organização criminosa nas eleições de 2024 e 2026.

Foto: Divulgação | PF

REDAÇÃO G1


Três vereadores de Sobral foram presos e afastados dos cargos por 180 dias durante uma operação deflagrada na manhã desta terça-feira (11). A ação investiga a suposta influência de uma organização criminosa nas eleições municipais de Sobral em 2024 e no processo eleitoral de 2026.

Segundo apuração da TV Verdes Mares, os vereadores presos são: Carlos do Calisto (PSB), Junim do Povo (Pode), e ⁠Mario Vicktor (União).

O g1 procurou os partidos dos vereadores, mas não obteve posicionamento até a última atualização desta reportagem.

Ao todo, a operação tem por objetivo cumprir 14 mandados de prisão preventiva (incluindo os três vereadores), 25 de busca e apreensão e 5 medidas de afastamento cautelar de cargos públicos. As ordens judiciais foram expedidas pela 3ª Zona Eleitoral de Fortaleza.

Os nomes dos demais alvos não foram divulgados. Também não foi informado o nome da organização criminosa investigada. A Operação Omertá é comandada pela Força Integrada de Combate ao Crime Organizado no Ceará (FICCO/CE), pelo Ministério Público Eleitoral, por meio da 3ª Promotoria Eleitoral, e pelo Grupo Auxiliar Eleitoral (GAEL).

Facção cobrava ‘pedágio’ de até R$ 60 mil

De acordo com o Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE), as investigações apontam que a organização criminosa cobrava valores entre R$ 30 e R$ 60 mil de candidatos. Ao pagar o ‘pedágio’, eles poderiam acessar alguns bairros de Sobral durante a campanha eleitoral.

Ainda segundo o MPCE, a facção também tentava manipular a escolha política dos eleitores por meio de práticas de coação e ameaça.

Em coletiva realizada nesta manhã, representantes do Ministério Público e da Polícia Federal detalharam que o inquérito foi aberto em 2024, coletando depoimentos e evidências da influência da facção nos processos eleitorais.

Os indícios apontam que o ‘pedágio’ cobrado era de R$ 30 mil para candidatos que não tinham mandato e de R$ 60 mil para candidatos que já tinham mandato.

Alvos da operação

Conforme o MPCE, estão entre os alvos da operação: vereadores de Sobral, um assessor jurídico da Câmara Municipal e integrantes de uma facção criminosa. Uma policial militar e agentes públicos foram afastados das funções por 180 dias.

O MPCE confirmou que 20 mandados de busca e apreensão contra os suspeitos já foram cumpridos.

Os crimes investigados são:

integrar organização criminosa,

domínio social estruturado,

extorsão, na modalidade conhecida como “pedágio eleitoral”

corrupção eleitoral,

impedimento ou embaraço à propaganda eleitoral,

lavagem de dinheiro.

Segundo a Polícia Federal, um advogado também está entre os alvos. Ele é suspeito de integrar a estrutura da organização criminosa, exercendo funções relacionadas ao núcleo de liderança e de execução de ordens voltadas à interferência no processo eleitoral.

Dois agentes públicos também tiveram o afastamento decretado por 180 dias.

Buscas e apreensões de aparelhos celulares, documentos e outros materiais também integraram a ação. A operação também aplicou medidas cautelares, como a proibição do contato entre investigados e testemunhas.

Outra medida cautelar é para que a Câmara Municipal de Sobral apresente uma relação completa dos ocupantes de cargos comissionados, funções de confiança e contratados temporários vinculados à Casa, segundo a Polícia Federal.

As ordens judiciais foram expedidas a partir de representação conjunta da FICCO/CE, da 3ª Promotoria Eleitoral e do GAEL. A investigação segue sob segredo de justiça.

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