6 de novembro de 2026 1:36 PM

Casos de mpox crescem no Rio; veja como ocorre o contágio e quais são os sintomas

Apesar do aumento localizado, país registra 665 casos em 2026, redução de 94% em relação ao surto de 2022

Foto: Adobe Stock

TALYTA VESPA | G1 


Os casos de mpox voltaram a crescer no Rio de Janeiro. Apenas em setembro e outubro, a capital fluminense confirmou 74 infecções, número sete vezes maior que o registrado no mesmo período do ano passado.

Em meio ao aumento, o Ministério da Saúde autorizou, nesta quinta-feira (5), a compra de até 20 mil doses da vacinacontra a doença para reforçar os estoques do Sistema Único de Saúde (SUS). O governo também enviou outras 2 mil doses ao estado do Rio de Janeiro, elevando para 3,5 mil o total destinado à região neste ano.

Apesar da alta localizada, o cenário nacional ainda é bem diferente do observado durante o surto de 2022. Segundo o Ministério da Saúde, o Brasil confirmou 665 casos de mpox em 2026, uma redução de 94% em comparação com os mais de 10 mil registros de quatro anos atrás.

Mas o aumento recente também traz de volta dúvidas sobre a doença: a mpox pode matar? É transmitida pelo ar? O beijo oferece risco? Existe tratamento? E quem pode receber a vacina?

Para esclarecer essas questões, o g1 reuniu explicações de infectologistas sobre as principais formas de transmissão, os sinais de alerta e os cuidados necessários para evitar a infecção.

Mpox pode matar?

Sim, mas as mortes são raras. Para a maioria das pessoas, a mpox provoca sintomas leves ou moderados e desaparece sem causar complicações graves.

O risco é maior, porém, entre pacientes com o sistema imunológico comprometido, como pessoas vivendo com HIV sem tratamento adequado, transplantados e pacientes em tratamento contra o câncer.

“Pode matar, sim, mas isso é raro. Hoje, para a população em geral, o risco é considerado baixo”, afirma Álvaro Costa, infectologista da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), consultor técnico do Ministério da Saúde para Infecções Sexualmente Transmissíveis e coordenador do serviço de HIV do Hospital das Clínicas da USP.

Segundo Marcos Vinicius Borges, também infectologista da SBI, a letalidade observada nos surtos globais mais recentes geralmente ficou abaixo de 1%. Esse percentual, entretanto, pode ser maior em locais onde o acesso aos serviços de saúde é mais limitado.

Mpox pega pelo ar?

A mpox não se espalha pelo ar com a mesma facilidade que doenças como o sarampo. A principal forma de transmissão é o contato direto com lesões na pele, secreções corporais ou mucosas de uma pessoa infectada.

O contágio também pode ocorrer durante o contato próximo e prolongado com secreções respiratórias, como em situações em que duas pessoas permanecem frente a frente por bastante tempo.

“Não é uma doença altamente transmissível pelo ar”, explica Costa.

Além disso, objetos contaminados, como toalhas, roupas e lençóis utilizados por pessoas infectadas, também podem transmitir o vírus.

Beijo transmite mpox? E a saliva?

Sim. O beijo pode transmitir o vírus, principalmente quando há contato com lesões na boca, nos lábios ou na pele do rosto. Isso acontece porque o vírus pode estar presente na saliva e nas lesões de pessoas infectadas.

“O beijo envolve proximidade intensa e contato de mucosas. Se houver lesões ativas, o risco existe”, explica Borges.

Por isso, a recomendação é evitar beijos e outros contatos físicos íntimos quando houver feridas suspeitas ou sintomas compatíveis com a doença, até que seja realizada uma avaliação médica.

Mpox é uma infecção sexualmente transmissível?

A mpox não é considerada uma infecção sexualmente transmissível (IST) clássica, como a sífilis ou o HIV. Isso porque o contágio não depende necessariamente de uma relação sexual.

No entanto, o contato físico intenso que ocorre durante o sexo facilita a transmissão do vírus, especialmente pelo contato direto com a pele e com lesões.

“O contato íntimo durante a relação sexual facilita muito a transmissão. Mas é importante lembrar que ela também pode ser transmitida por outros tipos de contato físico próximo”, afirma Costa.

Borges destaca que a doença não está restrita a determinado grupo de pessoas. Qualquer indivíduo pode contrair mpox se tiver contato com o vírus.

Quais são os primeiros sintomas da mpox?

Os sinais iniciais podem se parecer com os de outras infecções virais. Entre os mais comuns estão:

febre;

dor de cabeça;

dores musculares e no corpo;

cansaço;

aumento dos gânglios linfáticos, conhecidos como ínguas;

lesões ou erupções na pele.

As lesões são uma das principais características da doença. Elas podem começar como manchas ou pequenas bolhas, evoluir para feridas com pus e, posteriormente, formar crostas.

Essas alterações podem aparecer em diferentes partes do corpo, inclusive na boca e na região genital. Em alguns pacientes, as lesões surgem sem febre ou outros sintomas anteriores.
“Ao notar algo diferente na pele, especialmente associado à febre, vale procurar avaliação médica”, orienta Borges.

Como saber se é mpox ou catapora?

As duas doenças podem provocar bolhas e feridas na pele, o que dificulta a diferenciação apenas pela aparência.

Na mpox, é mais comum que as lesões de uma mesma região estejam em estágios semelhantes de evolução. Já na catapora, costuma haver lesões em diferentes fases ao mesmo tempo.

Essa diferença, porém, não é suficiente para confirmar o diagnóstico. A confirmação da mpox depende de exame laboratorial, geralmente realizado por meio da coleta de material das lesões para identificar o vírus.

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