21 de setembro de 2026 4:01 PM

Foto: Redes Sociais | X

Irã critica EUA por negar vistos a jornalistas que cobririam Assembleia da ONU

Governo iraniano comparou a situação a uma nova “Cortina de Ferro”

REDAÇÃO G1 

 

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei, criticou nesta segunda-feira (21) a decisão dos Estados Unidos de não emitir vistos para jornalistas que acompanhariam a delegação do país na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU).

Em uma publicação na rede social X, Baghaei afirmou que a medida seria uma tentativa de impedir o acesso a informações.

“Quando um governo impede até mesmo o acesso da imprensa de seu próprio país às informações e, ao mesmo tempo, fecha o caminho para jornalistas estrangeiros, incluindo a equipe de imprensa do presidente do Irã — cuja voz não quer que seja ouvida —, isso não é gestão de acesso. É uma tentativa de esconder a verdade e dar continuidade a uma campanha de desinformação por meio da violação do direito de acesso à informação”, disse.

O porta-voz também fez uma referência à Guerra Fria. Segundo ele, os Estados Unidos, que já se orgulharam de contribuir para derrubar a chamada “Cortina de Ferro”, agora estariam vivendo sob uma, dentro de suas próprias fronteiras.

A Cortina de Ferro foi a expressão usada para descrever a divisão política, militar e ideológica que separou a Europa Ocidental dos países do Leste Europeu sob influência da União Soviética durante a Guerra Fria. O termo ficou conhecido após um discurso do ex-primeiro-ministro britânico Winston Churchill, em 1946, e passou a simbolizar a divisão entre os dois blocos.

O encontro das Nações Unidas, que acontece em Nova York, já gerou outros desgastes entre os dois países. A própria delegação diplomática iraniana tardou para receber a autorização para adentrar território americano, e a permissão para que viajassem só veio na quinta-feira passada (17).

Apesar da liberação, Washington impôs restrições à circulação dos integrantes e proibir a compra de artigos de luxo e outros produtos.

Segundo o Departamento de Estado, a delegação será menor do que a enviada no ano passado e estará sujeita a restrições de viagem. Uma fonte familiarizada com o assunto confirmou à agência France-Presse que a decisão inclui o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian.

Guerra se estende

Irã e Estados Unidos estão em guerra há sete meses, desde que os norte-americanos lançaram uma operação contra o território iraniano em conjunto com Israel.

A escalada abriu um novo capítulo de instabilidade no Oriente Médio, com ataques em várias cidades, retaliações e mortes no alto escalão do regime de Teerã, incluindo o Líder Supremo.

Na última quinta-feira (17), especialistas em direitos humanos designados pelo Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos afirmam ter encontrado “motivos razoáveis” para acreditar que os EUA cometeram crimes de guerra em dois ataques no Irã.

O relatório inclui um bombardeio que atingiu uma escola na cidade de Minab, no sul do Irã.

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