14 de setembro de 2026 4:01 PM

Foto: Redes Sociais

Pedido para desacelerar IA provoca reação de EUA, China e Europa

Alemanha rejeita interrupção do desenvolvimento, mas admite novos riscos caso sistemas ganhem maior autonomia

REDAÇÃO G1

 

O debate sobre o avanço da inteligência artificial voltou a ganhar destaque nesta semana após o CEO da Anthropic, Dario Amodei, defender, em um artigo publicado no sábado (12), que as empresas reduzam o ritmo de desenvolvimento de seus modelos de IA.

O ensaio foi divulgado após a Anthropic publicar um relatório detalhando como diferentes agentes usaram seus modelos Claude em atividades que incluíam desenvolvimento de armas, operações cibernéticas, vigilância e fraude.

Após a divulgação, autoridades de diferentes países se manifestaram sobre o avanço da tecnologia. O presidente dos EUA, Donald Trump, defendeu a liderança americana em IA e minimizou os riscos apontados, enquanto a China alertou para ameaças à segurança nacional.

A União Europeia defendeu a inovação, mas cobrou das empresas garantias de segurança. Já a Alemanha afirmou que interromper o desenvolvimento da IA não é uma opção viável para a Europa.

Veja abaixo as diferentes reações.

Estados Unidos

Nesta segunda-feira (14), Trump afirmou que os EUA já dispõem de amplos poderes para responsabilizar criminalmente e regular as empresas de inteligência artificial. Ele também declarou que há uma “conspiração doentia” contra a IA.

“O único controle ou ‘limite’ de que a IA precisa é um PRESIDENTE FORTE E INTELIGENTE (com QI alto!), e os EUA têm isso de sobra!”, escreveu Trump na Truth Social. Ele também afirmou que os questionamentos sobre o desenvolvimento da inteligência artificial beneficiariam a China, rival dos EUA no setor.

No domingo (13), Trump comparou os críticos da inteligência artificial a “forças muito negativas” que levantam cenários que não vão acontecer e afirmou que pretende manter os EUA na liderança do setor.

“Estamos à frente da China em IA. Somos o país mais sofisticado do mundo e, francamente, quero que continue assim, porque quem vencer na IA vence”, disse Trump a repórteres em seu campo de golfe na Irlanda, quando questionado se o setor de IA deveria desacelerar ou ser mais regulamentado.
“Poderíamos estabelecer limites. Podemos fazer isso e aquilo. Mas acho que há muitas forças muito negativas levantando essa questão, que não deveriam estar fazendo isso, e estão trazendo à tona coisas que não vão acontecer.”

China

A China, que disputa com os EUA a liderança no desenvolvimento da IA, afirmou que a tecnologia pode ameaçar a segurança nacional ao ser usada por potências estrangeiras para minar a ordem social do país.

“Forças hostis” abusam de tecnologias generativas de IA para “fabricar rumores políticos e espalhar informações prejudiciais”, escreveu o ministro da Segurança do Estado, Chen Yixin, em um artigo publicado online no domingo.
“Elas estão travando guerras de opinião pública contra a China, ameaçando diretamente nossa segurança política, institucional e ideológica”, afirmou.

O alerta ocorre às vésperas de um encontro entre o líder chinês, Xi Jinping, e o presidente dos EUA, Donald Trump, previsto para este mês em Washington, com foco na segurança da IA.

União Europeia

Nesta segunda-feira (14), o porta-voz da Comissão Europeia, Thomas Regnier, afirmou que o bloco apoia a inovação em IA, mas que as empresas precisam comprovar que seus serviços são seguros.

Alemanha

A Alemanha afirmou nesta segunda-feira que interromper o desenvolvimento da IA não é uma opção viável para a Europa. Segundo um porta-voz do ministério responsável por assuntos digitais, fortalecer a autonomia tecnológica europeia depende de novos avanços e de inovação no setor.

“Não consideramos a interrupção do desenvolvimento uma opção viável para a Europa”, disse o porta-voz, em resposta aos pedidos de maior proteção diante de sistemas cada vez mais poderosos.
O ministério afirmou que acompanha de perto os avanços da IA no mundo e leva a sério os alertas dos principais desenvolvedores.

Também advertiu que, se uma IA conseguir sair do ambiente controlado em que é testada e acessar outros sistemas por conta própria, isso representará “um cenário de ameaça inteiramente novo”, que exigirá novas medidas das autoridades.

O porta-voz também defendeu uma coordenação internacional, com a participação dos Estados Unidos e da China, para estabelecer regras e fiscalizar a tecnologia. Segundo ele, o governo alemão está levando o tema às discussões do G7.

Reino Unido

O primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, considera positivo o debate entre as principais empresas de IA sobre os riscos da tecnologia para o futuro da humanidade, segundo seu porta-voz. Ele afirmou nesta segunda-feira (14) que as decisões sobre o tema precisam ser baseadas em evidências.

“É bom que as empresas que desenvolvem os sistemas de IA mais avançados estejam agora falando abertamente tanto dos riscos quanto das oportunidades”, disse o porta-voz a jornalistas. Ele acrescentou que as políticas devem se apoiar “em evidências, e não em especulações”.
“Mas não devemos presumir que as regras atuais serão sempre suficientes à medida que a IA avança. Qualquer medida futura será baseada em evidências e voltada aos riscos que precisamos enfrentar”, afirmou.

Compartilhe

Feito com muito 💜 por go7.com.br
Ir para o conteúdo