26 de agosto de 2026 4:28 PM

Justiça tira advogada da prisão e impõe tornozeleira na Operação Replay

Polícia afirma que advogada atuava na regularização de imóveis usados para ocultar patrimônio; defesa nega conhecimento do esquema.

Foto: Reprodução | Redes Sociais

JARDES JOHNSON | G1 MT

 

A Justiça de Mato Grosso concedeu recolhimento domiciliar, com uso de tornozeleira eletrônica, à advogada Dayane Karol Moreira da Silva, presa no dia 30 de julho, como alvo da Operação Replay, que investiga um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao núcleo financeiro da facção criminosa Comando Vermelho em Mato Grosso.

A decisão foi assinada pela juíza Edna Ederli Coutinho, do Núcleo 4.0 do Juiz das Garantias de Cuiabá, na última sexta-feira (21).

O recolhimento domiciliar é uma medida que restringe a liberdade apenas em determinados períodos, geralmente durante a noite, e não exige que a pessoa permaneça em casa durante todo o dia. Já a prisão domiciliar substitui o cumprimento de uma ordem de prisão em estabelecimento prisional pela permanência na residência e, em regra, exige que o investigado ou condenado fique em casa de forma integral, salvo autorizações judiciais específicas.

Ao g1, o advogado Jean Carlos Pereira, que representa Dayane, afirmou que um dos motivos considerados na decisão seria o fato de a investigada ter um filho menor de idade. A defesa também ingressou com um novo habeas corpus no Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) para tentar reverter a medida e obter a liberdade da advogada.

Segundo a Polícia Civil, Dayane atuava na regularização de documentos de imóveis registrados em nome de terceiros para dar aparência de legalidade aos bens investigados. A defesa, no entanto, afirma que a advogada não sabia que os serviços prestados estariam relacionados ao esquema de lavagem de dinheiro.

“A acusação relata que a Dayane participou ativamente da lavagem de capitais, tendo em vista que foi contratada por um laranja que estava atuando em nome do ‘W.T.’ e que essa contratação se deu mediante fraude. Nós, da defesa, alegamos que ela não sabia que essa pessoa era laranja e que efetuou o trabalho jurídico como advogada. Temos todos os contratos”, afirmou Jean Carlos.

“W.T.” é o apelido de Paulo Witer Farias Paelo, preso desde 2024 e apontado pela polícia como tesoureiro da organização criminosa.

Segundo as investigações, mesmo preso, ele continuava comandando parte das operações do grupo. A apuração aponta que “W.T.” utilizava aparelhos celulares dentro da Penitenciária Central do Estado (PCE), em Cuiabá, para manter contato com integrantes que estavam em liberdade e repassar ordens relacionadas à movimentação de dinheiro, compra de bens e ocultação de patrimônio. Ao todo, 15 pessoas foram alvos da Operação Replay.

R$ 38 milhões bloqueados

Além das prisões, a Justiça determinou o bloqueio de bens e valores ligados ao grupo investigado. Segundo a Polícia Civil, foram sequestrados aproximadamente R$ 20 milhões em imóveis e veículos de luxo, incluindo propriedades de alto padrão em Santa Catarina. Outros R$ 18 milhões em ativos financeiros foram bloqueados.

Com isso, aproximadamente R$ 38 milhões em patrimônio ficaram indisponíveis por determinação judicial.

A Operação Replay é resultado de investigações iniciadas nas operações Apito Final, Fair Play e Tempo Extra. Conforme a Polícia Civil, mesmo depois das fases anteriores e da prisão de “W.T.”, o grupo teria conseguido manter a estrutura financeira em funcionamento, com movimentação de recursos, ocultação de patrimônio e uso de pessoas de confiança.

A fase mais recente da investigação teve como foco o núcleo que, segundo a polícia, era responsável por administrar e preservar o patrimônio da facção.

FIQUE POR DENTRO DA POLÍTICA

Entre em nosso grupo do WhatsApp e receba informações em tempo real

Compartilhe

Feito com muito 💜 por go7.com.br
Ir para o conteúdo