24 de agosto de 2026 4:28 PM

Foto: Redes sociais | Bashar al-Assad

Ex-líder religioso de Assad é condenado à prisão perpétua

Sentença integra uma série de julgamentos contra figuras ligadas ao regime derrubado de Bashar al-Assad.

REDAÇÃO G1

 

A Justiça da Síria condenou à prisão perpétua o ex-grande mufti Ahmed Badreddin Hassoun, líder religoso que exerceu suas funções durante o governo de Bashar al-Assad, nesta segunda-feira (24).

Hassoun, que ocupou o cargo durante 16 anos, era conhecido por sua proximidade com o presidente deposto e por suas frequentes aparições ao lado dele em cerimônias e atos religiosos.

Ele recebeu a pena por “estimular a guerra civil e os confrontos confessionais”. Além disso, também foi condenado a outras penas de prisão, com penas entre três e 20 anos, por “incitação intencional ao assassinato, participação direta” em assassinatos e por ter estimulado o “ódio confessional e racial”.

Além disso, ele foi condenado a outras penas de prisão, de entre três e 20 anos, por “incitação intencional ao assassinato, participação direta” em assassinatos e por ter estimulado o “ódio confessional e racial”.

Esta é a 10ª sentença anunciada contra uma figura do regime de Assad pelas novas autoridades islâmicas, mas a primeira proferida contra um líder religioso.

Bashar al-Assad condenado à morte

Há duas semanas, o tribunal de Damasco fez história ao condenar à morte Bashar al-Assad, que governou a Síria durante 24 anos, até ser deposto em 2024.

Segundo o tribunal, Assad foi condenado pelos seguintes crimes:

Homicídio premeditado;
Homicídio doloso de mais de uma pessoa;
Homicídio doloso de crianças menores de 15 anos;
Homicídio doloso acompanhado de atos de tortura e brutalidade;
Incitação, em múltiplas ocasiões, ao homicídio premeditado e doloso;
Tortura e tortura que resultou em morte;
Privação de liberdade em múltiplas ocasiões.

“Em nome do povo árabe da Síria, o Tribunal decide, por unanimidade, condenar à morte o réu foragido Bashar al-Assad por crimes contra a humanidade e crimes de guerra”, afirmou o juiz Fakhr al-Aryan.
Membros da família do ex-ditador também já foram condenados. Na terça-feira (18), Wassim al-Assad, primo de al-Assad, se tornou o 4º membro da família a receber a pena de morte.

Wassim foi considerado culpado por vários assassinatos e por “assassinato acompanhado de tortura e brutalidade, classificados como crimes contra a humanidade e crimes de guerra”, o que levou à sua pena de morte, segundo o juiz Fakhr al-Din al-Aryan, do Quarto Tribunal Penal de Damasco.
O irmão de Bashar, Maher al-Assad, e outro primo, Atef Najib foram acusados de crimes contra a humanidade e crimes de guerra durante os 14 anos de guerra civil na Síria, que deixou cerca de 500 mil mortos.

Dos quatro membros da família Assad condenados à morte até o momento, apenas Najib e Wassim estão presos pela Síria. Bashar al-Assad e seu irmão estão exilados na Rússia desde dezembro de 2024, quando fugiram de uma investida-relâmpago do grupo rebelde HTS na capital Damasco.

Ainda não se sabe se os dois primos de Assad serão de fato executados pela Síria. Por conta da magnitude que o regime de Assad tinha, é possível que a rede ligada ao ex-ditador consiga impedir o cumprimento dessas sentenças ou possíveis atenuações.

Assad governou a Síria durante 24 anos, sendo que a segunda metade de seu regime foi marcada por uma guerra civil sangrenta. Seu governo foi acusado de conduzir assassinatos, prisões arbitrárias e torturas durante o conflito. O regime de Assad foi se enfraquecendo aos poucos, principalmente a partir de 2022 com uma redução da ajuda russa por conta da guerra na Ucrânia. Uma ofensiva fulminante de duas semanas do grupo rebelde HTS derrubou seu regime.

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