24 de agosto de 2026 4:28 PM

Foto : Donald Trump | Redes Sociais Oficial

Trump eleva para 50% tarifas sobre carros e aço do Canadá

Canadá anunciou tarifas de retaliação contra produtos dos Estados Unidos após a escalada comercial.

REDAÇÃO G1

 

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta segunda-feira (24) que as tarifas sobre carros, caminhões, autopeças e aço importados do Canadá subirão para 50% a partir de 1º de janeiro de 2027.

Em publicação no Truth Social, o presidente norte-americano afirmou que o Canadá “vem explorando os Estados Unidos há anos” e criticou as tarifas canadenses sobre agricultores e produtos agrícolas americanos.

“Suas tarifas absurdamente altas sobre nossos agricultores e produtos agrícolas tornaram a vida impossível para esses grandes patriotas americanos e criaram um déficit de US$ 60 bilhões entre nossos dois países. Isso não é sustentável, e NÃO ACONTECERÁ MAIS!”, escreveu.

Segundo Trump, a nova tarifa de 50% será aplicada a “todos os carros, caminhões, grandes e pequenos, autopeças e aço”. O presidente ainda acrescentou que produtos fabricados nos Estados Unidos não estarão sujeitos às tarifas.

“Produza nos EUA e não haverá tarifas”, afirmou. Trump também endureceu o discurso contra o Canadá e disse que o país não será mais tratado como um Estado pelos EUA.

“Em termos comerciais e em outros aspectos, eles estão entre as piores nações do mundo para se negociar”, declarou.
O presidente americano afirmou ainda que os canadenses “se acham no direito de tudo”, mas que os Estados Unidos não precisam do país vizinho. “NÓS NÃO PRECISAMOS DO CANADÁ, ELES PRECISAM DE NÓS!”, escreveu.

Trump também alegou que 95% dos negócios do Canadá são realizados com os Estados Unidos, enquanto, segundo ele, a relação comercial inversa não apresenta a mesma dependência.

Ainda nesta segunda-feira, o primeiro-ministro canadense Mark Carney disse não se surpreender cim as ameaças tarifárias do presidente Trump.

Segundo Carney, um acordo mutuamente benéfico com os Estados Unidos ainda é possível, mesmo que as negociações tenham fracassado na semana passada.

No domingo (23), Trump já havia elevado o tom contra o Canadá após o fracasso das negociações comerciais entre os dois países.

“O Canadá quer os benefícios de ser um Estado, sem ser um!!! Eles também cobraram dos nossos grandes agricultores, durante muitos anos, enormes quantias em tarifas. Chega!!!”, escreveu o presidente.

No sábado, os EUA anunciaram tarifas de 50% sobre produtos importados do Canadá, já que não foi possível finalizar um acordo que, na avaliação americana, teria reduzido substancialmente as tarifas e oferecido condições mais favoráveis de acesso ao mercado dos EUA.

Em resposta, o primeiro-ministro canadense, Mark Carney, anunciou tarifas de retaliação sobre produtos americanos a partir de 8 de setembro.

“O Canadá quer os benefícios de ser um Estado, sem ser um!!! Eles também cobraram dos nossos grandes agricultores, durante muitos anos, enormes quantias em tarifas. Chega!!!”, escreveu Trump.
O cabo de guerra dos norte-americanos
A nova escalada ocorre apenas alguns dias depois de os dois países indicarem que estavam próximos de um acordo.

Na terça-feira (18), Trump havia suspendido por três dias a aplicação das tarifas de 50%, alegando que EUA e Canadá tinham chegado a um entendimento preliminar. O primeiro-ministro canadense, Mark Carney, confirmou que havia “progressos substanciais” nas conversas.

As negociações, porém, fracassaram na noite de sexta-feira (21). As tarifas americanas entraram em vigor à 0h01 de sábado (22), no horário de Washington, sobre cerca de US$ 20 bilhões (R$ 102 bilhões) em produtos canadenses.

Em resposta, Carney anunciou que o Canadá aplicará tarifas “dólar por dólar” a produtos americanos. “Nos próximos dias, divulgaremos detalhes dessas novas medidas tarifárias, que entrarão em vigor na terça-feira seguinte ao Dia do Trabalho”, afirmou o premiê em coletiva de imprensa.

Casa Branca chama Carney de ‘insensato’

Neste domingo, o secretário dos Transportes dos Estados Unidos, Sean Duffy, declarou que “pensar que eles [canadenses] vão entrar em guerra com Donald Trump e realmente vencer a guerra contra os Estados Unidos, acho que é insensato da parte deles”, ao programa “Fox News Sunday”.

Carney, por outro lado, adotou um tom desafiador ao anunciar a retaliação canadense.

“Você está em guerra quando é atacado. Nós fomos atacados”, afirmou no sábado (22), depois de rejeitar o que classificou como um “mau acordo” oferecido por Washington.

Por que o Canadá não firmou o acordo?

Segundo Carney, os avanços obtidos nas negociações não foram suficientes para atender aos objetivos do Canadá. O premiê também afirmou que os Estados Unidos tentaram incluir no acordo cláusulas que limitariam a capacidade canadense de firmar futuros acordos comerciais com outros parceiros.

As negociações também envolveram uma série de outros pontos de atrito, incluindo tarifas sobre automóveis, aço e alumínio, acesso ao mercado canadense de leite, aves e ovos, compras governamentais, bebidas alcoólicas, serviços digitais, propriedade intelectual, agricultura, trabalho forçado, energia e preços de medicamentos.

De acordo com o governo Trump, um dos principais pontos de divergência envolvia as tarifas previstas na chamada Seção 232 da legislação comercial americana, que permite a aplicação de tarifas por motivos de segurança nacional.

“Washington estava exigindo demais e oferecendo muito pouco”, declarou Carney.
O primeiro-ministro também afirmou que algumas exigências americanas representariam uma ameaça à língua francesa e à cultura de Quebec.

Entre os temas discutidos estavam subsídios à produção cultural francófona, a presença de meios de comunicação em francês nas plataformas digitais e a obrigatoriedade de rotulagem bilíngue de produtos vendidos no Canadá.

“Quando somos atacados, estamos em guerra. Nós fomos atacados”, disse Carney em Ottawa.
A disputa marca uma nova deterioração na relação entre os dois países e coloca em risco o futuro do acordo comercial entre Estados Unidos, Canadá e México. O Canadá é particularmente vulnerável à escalada porque cerca de 70% de suas exportações têm como destino o mercado americano.

De acordo com o governo Trump, um dos principais pontos de divergência envolvia as tarifas previstas na chamada Seção 232 da legislação comercial americana, que permite a aplicação de tarifas por motivos de segurança nacional.

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