31 de julho de 2026 5:30 PM

Foto: Molly Riley/White House

Trump nega envolvimento em venda bilionária da Copa do Mundo

Donald Trump negou ter discutido o projeto com Gianni Infantino, apesar do interesse de grupo ligado à família do presidente.

REDAÇÃO G1 


O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta sexta-feira (31) que não conversou com o presidente da Fifa, Gianni Infantino, sobre o plano da entidade de vender uma participação dos negócios ligados à Copa do Mundo para investidores privados.

Questionado por jornalistas durante uma reunião com secretários em Camp David, Trump negou qualquer envolvimento nas discussões.

A declaração ocorre dias após a Fifa anunciar a criação de uma subsidiária avaliada em US$ 20 bilhões para administrar seus principais ativos comerciais, incluindo a Copa do Mundo e os Mundiais de Clubes masculino e feminino.

A proposta prevê a venda de até 20% da nova empresa para investidores privados.

Segundo a Fifa, o principal grupo interessado é liderado por uma gestora fundada por Joshua Kushner, irmão de Jared Kushner, genro de Trump.

Apesar da ligação familiar, o presidente americano afirmou que não tratou do assunto com Infantino. Os dois mantêm uma relação próxima desde a realização da Copa do Mundo de Clubes nos Estados Unidos neste ano.

Diretor renuncia

A proposta provocou forte reação dentro da Fifa. Nesta sexta-feira, dois integrantes da cúpula da entidade criticaram publicamente o projeto.

Carlos Cordeiro, principal assessor da presidência da Fifa e ex-presidente da Federação de Futebol dos Estados Unidos, pediu demissão em protesto.

“Não posso permanecer em silêncio enquanto a Fifa considera vender uma participação na Copa do Mundo”, afirmou em comunicado.

Ele classificou a proposta como “um mau negócio para o futebol” e disse que a medida coloca em risco um dos ativos mais valiosos do esporte.

Outro dirigente da entidade, o diretor de operações Kevin Lamour, também criticou o projeto. Em declaração à Associated Press, ele afirmou que os funcionários da Fifa foram “enganados” pela falta de transparência na condução da proposta.

“Esse é o projeto de uma única pessoa”, escreveu Lamour, em referência a Infantino.

Apesar das críticas, Lamour permaneceu no cargo e disse estar disposto a enfrentar consequências por defender sua posição.

Para Cordeiro, a venda não se justifica. Segundo ele, a Fifa tem bilhões de dólares em caixa, não possui dívidas e arrecadou cerca de US$ 15 bilhões nos últimos quatro anos.

“É hipotecar o futuro do futebol sem uma justificativa convincente”, afirmou.

Infantino preside a Fifa desde 2016 e deve disputar a reeleição no próximo ano. A entidade estabeleceu 18 de novembro como prazo para o registro das candidaturas.

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