21 de julho de 2026 1:44 PM

Justiça rejeita novo pedido e mantém júri de Carlos Bezerra

Defesa pediu mais dez dias úteis para analisar processos e arquivos digitais relacionados ao duplo homicídio

Foto: Divulgação

GIOVANNA BAIOCCO | G1 MT

 

A juíza Mônica Catarina Perri Siqueira, da 1ª Vara Criminal de Cuiabá, negou um novo pedido da defesa de Carlos Alberto Gomes Bezerra para adiar o julgamento do Tribunal do Júri, marcado para esta terça-feira (21). A decisão foi publicada nesta segunda-feira (20). A magistrada entendeu que não houve prejuízo para a defesa e manteve tanto o julgamento quanto a prisão preventiva do acusado.

A defesa alegou que só conseguiu acesso a alguns processos relacionados ao caso poucos dias antes do julgamento. Por isso, pediu mais 10 dias úteis para analisar alguns arquivos digitais, além do adiamento da sessão. Também afirmou que houve demora na liberação de informações sobre processos que tramitam em sigilo.

Na decisão, a juíza afirmou que os próprios advogados já sabiam da existência desses processos e que cabia à defesa pedir acesso aos documentos dentro do prazo. Segundo ela, não houve falha da Justiça que justificasse o adiamento do julgamento.

A magistrada também destacou que o Ministério Público anexou aos autos, no dia 14 de julho, a íntegra de um dos processos citados pela defesa, dando tempo suficiente para que os advogados analisassem o material. Em relação aos arquivos digitais, ela afirmou que eles estavam disponíveis desde 7 de julho, prazo considerado suficiente pela legislação.

Para a juíza, a defesa não comprovou que houve prejuízo ao direito de defesa e os pedidos apresentados tinham apenas o objetivo de adiar o julgamento. Por isso, ela manteve a prisão preventiva de Carlos Bezerra e decidiu que o habeas corpus ainda em análise no Tribunal de Justiça de Mato Grosso não impede a realização do júri.

Com a decisão, o julgamento está mantido para as 9h desta terça-feira (21), no Fórum de Cuiabá.

Entenda o caso

Filho do ex-deputado federal Carlos Bezerra, Carlos Alberto Gomes Bezerra é réu confesso e está preso. Conforme denúncia do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), ele responde pelo feminicídio de Thays Machado, praticado por motivo torpe, em razão da inconformidade com o fim do relacionamento, mediante extrema violência e em circunstâncias que impediram qualquer reação da vítima.

Segundo a acusação, os disparos foram efetuados em plena luz do dia, em uma área urbana de grande circulação de pessoas, com o uso de uma pistola semiautomática. O Ministério Público também sustenta que o crime ocorreu em contexto de violência doméstica e de gênero, apontando que o acusado utilizou sua condição de ex-companheiro e sua superioridade física para exercer controle e violência contra a vítima.

Pela morte de Willian Cesar Moreno, o réu foi denunciado por homicídio qualificado por motivo torpe, emprego de meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima. De acordo com o MPMT, a ação foi premeditada e executada de forma a surpreender o casal, sem possibilidade de reação ou fuga.

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