13 de julho de 2026 10:48 PM

Foto: Reprodução | TV Globo

Retatrutida ilegal circula sem garantia de segurança

Medicamentos vendidos ilegalmente podem ter composição desconhecida e provocar efeitos graves à saúde.

REDAÇÃO G1

A promessa de perder peso rapidamente tem levado cada vez mais brasileiros a recorrer a medicamentos vendidos ilegalmente, muitos deles ainda em fase experimental e sem aprovação de autoridades sanitárias. O resultado é ummercado clandestino que cresce em ritmo acelerado e preocupa médicos, pesquisadores e órgãos de fiscalização.

Entre os produtos que mais chamam a atenção está a retatrutida, uma molécula desenvolvida para o tratamento da obesidade e do diabetes que ainda passa por estudos clínicos. Os resultados preliminares das pesquisas indicam potencial para promover perda significativa de peso, mas o medicamento ainda não foi aprovado por nenhuma agência reguladora no mundo.

Mesmo assim, versões vendidas como “retatrutida” já circulam livremente em redes sociais, sites e farmácias no Paraguai, de onde parte boa parte dos produtos que entram ilegalmente no Brasil.

Mercado clandestino

Segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), nenhuma caneta emagrecedora fabricada no Paraguai possui registro para comercialização no Brasil. Sem esse processo, não há garantia sobre a eficácia, a segurança, a qualidade ou mesmo sobre a composição dos produtos vendidos.

Especialistas explicam que as substâncias encontradas no mercado clandestino não correspondem, necessariamente, ao medicamento desenvolvido pela indústria farmacêutica. Em muitos casos, trata-se apenas de tentativas de reproduzir a sequência de aminoácidos da molécula original, sem qualquer controle de qualidade ou comprovação científica.

O que pode haver dentro da caneta

Além da origem desconhecida, outro fator preocupa os médicos: as condições de fabricação, armazenamento e transporte. Medicamentos desse tipo precisam ser mantidos sob refrigeração para preservar sua estabilidade química. Fora dessas condições, podem perder o efeito ou sofrer degradações capazes de gerar substâncias potencialmente tóxicas.

Uma análise realizada por pesquisadores da Unicamp em uma caneta trazida do exterior identificou alterações nas moléculas presentes na amostra. Além da substância anunciada no rótulo, o produto apresentava compostos resultantes da degradação do medicamento, que podem representar riscos ainda maiores à saúde.

Os riscos para quem usa

Os relatos de pacientes reforçam o alerta. Um consumidor que decidiu utilizar uma dessas canetas, mesmo após orientação médica para não fazê-lo, contou que apresentou hipoglicemia, tremores, náuseas, vômitos, taquicardia e precisou procurar atendimento hospitalar poucas horas após a aplicação.

Segundo especialistas, os riscos vão além dos efeitos imediatos. Como não há informações sobre pureza, esterilidade ou composição dos produtos clandestinos, é impossível prever as consequências do uso a médio e longo prazo. Alterações no fígado, rins e coração, além de queda de cabelo, mudanças na pele e outros efeitos adversos estão entre as preocupações levantadas pelos médicos.

Contrabando cresce e preocupa autoridades

O crescimento da procura acompanha a expansão do contrabando. Dados das autoridades mostram que os medicamentos para emagrecimento se tornaram um dos produtos mais apreendidos na fronteira com o Paraguai. Em uma única operação, a Polícia Rodoviária Federal interceptou mais de 30 mil unidades escondidas em um caminhão, a maior apreensão desse tipo já registrada no país.

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