REDAÇÃO G1
O presidente da Argentina, Javier Milei, anunciou o novo chefe de gabinete de seu governo após o anterior renunciar por investigações de enriquecimento ilícito. Diego Santilli, atual ministro do Interior, tomará posse na terça-feira (30), segundo Milei.
Milei anunciou Santilli como novo chefe de gabinete no domingo, quando disse nas redes sociais que se reuniu com ele e com Karina Milei, sua irmã e secretária geral da presidência, para uma transição. O anúncio ocorreu um dia após Manuel Adorni, antecessor de Santilli, ter renunciado por ser alvo de investigações da Justiça argentina por enriquecimento ilícito e ocultação de bens
Investigado pela Justiça, Manuel Adorni renuncia
O chefe de gabinete do governo da Argentina, Manuel Adorni, deixou a função neste sábado (27) por estar envolvido em um escândalo por suposto enriquecimento ilícito e ocultação de patrimônio. Ele também já havia renunciado ao cargo de porta-voz do governo dias antes.
O próprio Adorni publicou uma carta de demissão em suas redes sociais, confirmando sua saída. “Obrigado pela confiança, Sr. Presidente. Foi uma verdadeira honra”, escreveu o agora ex-funcionário.
Adorni é uma das figuras mais próximas de Milei e recentemente admitiu ter ocultado 500 mil dólares (cerca de R$ 2,6 milhões) em suas declarações de bens, em um caso que o colocou na mira da Justiça e da oposição
Ele afirmou que se tratava de economias “não declaradas” provenientes de investimentos em criptomoedas entre 2014 e 2018. No entanto, isso contradisse declarações anteriores dadas por ele ao Congresso argentino: em abril, ele afirmou aos parlamentares que “nunca houve ocultação alguma” de seu patrimônio.
O caso é investigado pela Justiça Federal argentina junto com denúncias sobre compra e reforma de imóveis por centenas de milhares de dólares, em um escândalo que ganha um novo capítulo a cada semana.
Adorni resistiu no cargo com apoio do presidente e apresentou explicações consideradas insuficientes. Milei tentou mantê-lo até o último momento e, na manhã de sexta-feira (26), durante visita à Espanha, o presidente argentino chegou a afirmar que só o demitiria caso a Justiça o considerasse culpado de corrupção.
Na carta, Adorni agradeceu à Milei: “Obrigado. Obrigado por compreender as razões e por me compreender: pela primeira vez desde aquele 10 de dezembro de 2023, estou a contrariar os seus desejos. Obrigado por finalmente aceitar a minha demissão desta vez.”
Adorni, de 46 anos, começou no governo como porta-voz presidencial em 2023 e passou à chefia de Gabinete em novembro passado.



