22 de junho de 2026 3:19 PM

Foto: Yara Ramalho/g1 RR

Pedidos de refúgio crescem 10,9% no Brasil em 2025

Dados são do estudo Refúgio em Números 2026, divulgado pelo OBMigra e pelo Ministério da Justiça.

REDAÇÃO G1

 

Os cubanos lideraram os pedidos de refúgio no Brasil em 2025, superando os venezuelanos, que estiveram no topo do ranking por anos.

No total, as solicitações de refúgio aumentaram 10,9% em 2025, na comparação com o ano anterior.

Foram 75.599 pedidos feitos por cidadãos de várias nacionalidades, terceiro maior volume da série histórica, atrás apenas de 2018 e 2019.

Os dados são do estudo Refúgio em Números 2026, feito pelo Observatório das Migrações Internacionais (OBMigra) em parceria com o Ministério da Justiça.

O estudo leva em conta o período de 2010 a 2025 e foi divulgado nesta segunda-feira (22) em evento alusivo ao Dia Mundial do Refugiado, celebrado no sábado (20)

Refúgio é uma proteção legal internacional oferecida para grupos que estejam em situação de risco de vida e, por isso precisem migrar para outro país. Por exemplo em casos de crises climáticas, guerras civis, perseguição por raça e terrorismo.

O país receptor é obrigado a proteger contra a devolução ao país de origem, além de dar acesso ao trabalho, educação, saúde, liberdade religiosa e à documentação legal.

“O volume de solicitações verificado para o ano de 2025 deve ser compreendido no contexto de retomada de fluxos em direção ao Brasil já verificado anteriormente para os anos de 2022 (50.355), 2023 (58.628) e 2024 (68.159), após um período de maiores restrições à mobilidade humana internacional em decorrência das ações impostas em virtude da pandemia de Covid-19”, diz o estudo.

Cubanos

Do total de solicitações feitas ao Comitê Nacional para os Refugiados (Conare) no ano passado, 41.919 (55,4%) foram de cubanos, um crescimento de 88,1% em relação a 2024.

As saídas são motivadas pela crise de desabastecimento e o empobrecimento da população que Cuba vem enfrentando por conta da economia debilitada. A crise existia há décadas, desde o fim da União Soviética, mas se agravou neste ano e chegou ao seu ponto mais crítico.

Isso porque a ilha era altamente dependente do fornecimento de petróleo da Venezuela. Em janeiro, quando militares dos Estados Unidos entraram em Caracas e capturaram o então presidente, Nicolás Maduro, o governo de Donald Trump passou a controlar parcialmente o destino do petróleo venezuelano e cortou o fornecimento a Cuba.

Sem seu principal fornecedor de combustível para gerar energia, o sistema elétrico de Cuba colapsou — a produção interna de energia atende a menos da metade da demanda nacional. Os já frequentes apagões passaram a durar até 20 horas por dia.

Após a invasão à Venezuela, o governo Trump também vem ameaçando ofensivas militares em Cuba e defende a mudança de poder na ilha, hoje governada pelo modelo de partido único.

Diante da pressão americana, o Parlamento cubano aprovou na última semana um pacote de reformas econômicas.

Venezuela

Já os venezuelanos apareceram em segundo lugar em 2025, com 21.233 solicitações de refúgio.

Embora ainda enfrente uma crise econômica aguda, com racionamento de alimentos há mais de uma década, a Venezuela passou recentemente por uma mudança de poder — após os EUA capturarem Maduro, o poder foi transferido de forma interina para Delcy Rodríguez.

Embora fosse aliada de Maduro, Rodríguez se aproximou dos Estados Unidos e fez acordos com o governo Trump.

Para analistas, a mudança, mesmo que ainda não tenha refletido em melhoras concretas na condição de vida dos venezuelanos, freou o êxodo massivo do país.

Um levantamento recente da Acnur, a agência da ONU para refugiados, apontou que cerca de um terço dos venezuelanos que hoje vivem em outros países na América Latina considera voltar ao país caso haja de fato melhoras na oferta de empregos e na segurança, independentemente de uma mudança de fato do poder.

Outras nacionalidades

Em terceiro vieram os colombianos, com 1.432 pedidos de refúgio. Em seguida, os cidadãos de Angola (1.253 solicitações), Marrocos (888) e Gana (792).

Distribuição por estado e perfil

No ano passado, 52,4% das solicitações de refúgio decididas pelo Conare foram registradas nos estados da região Norte.

Os solicitantes tinham como origem, principalmente, a Venezuela (13.125), Cuba (11.490) e a Colômbia (524).

Roraima foi a unidade da federação que concentrou o maior volume de solicitações de reconhecimento da condição de refugiado decididas pelo Conare, 16.166 (32% do total), seguida pelo Amapá, com 6.372 (12,6%), e pelo Amazonas, com 2.445 (4,8%).

A maioria dos pedidos atendidos pelo Conare (94,7%) foi por violação generalizada de direitos humanos. O maior grupo nessa categoria é o dos venezuelanos.

Homens solicitam mais refúgio que mulheres (55,9% contra 44%), e a maioria está na faixa etária dos 25 aos 40 anos (26.911 solicitantes).

Entre os cubanos, diferentemente, a maioria dos que pedem refúgio tem mais de 60 anos (67,8%).

No Brasil, o Conare, subordinado ao Ministério da Justiça, é o órgão responsável por analisar e decidir sobre os pedidos de refúgio.

Os trâmites são mais fáceis para países em que o Brasil reconhece que há grave e generalizada violação de direitos humanos, como nos casos de Venezuela, Síria e Afeganistão.

Compartilhe

Feito com muito 💜 por go7.com.br
Ir para o conteúdo