ANDREIA VERDÉLIO | AGÊNCIA BRASIL
O desmatamento na Amazônia Legal diminuiu 61,4% em maio deste ano em comparação com o mesmo mês de 2025. Esta é a maior redução percentual de desmatamento já registrada na região. Foram contabilizados 370 quilômetros quadrados de perda de vegetação no mês passado, contra 960 quilômetros quadrados no mesmo mês do ano anterior.
Os dados do Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter) foram divulgados na quinta-feira (11) durante a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao Observatório Regional da Amazônia (ORA), vinculado à Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (ACTO), em Brasília.
Os dados do projeto Deter, gerados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), orientam as equipes em campo nas ações de combate ao desmatamento, em especial o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).
O ministro do Meio Ambiente e Mudanças Climáticas, João Paulo Capobianco, explicou que a redução é um marco. Isso porque, historicamente, o desmatamento aumenta em maio, quando começa a estação seca na Amazônia.
“Acompanhamos isso diariamente com certa preocupação. Com o Ibama indo a campo e realizando apreensões remotas, o ICMBio atuando no terreno para prevenir o desmatamento em unidades federais de conservação e também agindo em terras e assentamentos indígenas, alcançamos esse marco fundamental”, afirmou o ministro.
A taxa anual de desmatamento é derivada do Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Brasileira (Prodes), que abrange o período de agosto de um ano a julho do ano seguinte. Segundo Capobianco, a expectativa é de que o próximo período, que se encerra em 31 de julho deste ano, apresente o menor índice de desmatamento da história da Amazônia.
No período acumulado de agosto de 2025 a maio de 2026, a redução do desmatamento foi de 37,5%, em comparação com o período de agosto de 2024 a maio de 2025. A área desmatada nesse período foi de 2.189 quilômetros quadrados, também a menor já registrada.
“Isso demonstra que o controle do desmatamento na Amazônia está funcionando”, disse Capobianco, após citar as ações anunciadas no dia anterior pelo presidente Lula na cerimônia do Dia Mundial do Meio Ambiente, celebrado em 5 de junho.
Entre os alertas de desmatamento emitidos pela Deter, 37,1% estavam localizados em áreas legalmente registradas. Na Amazônia Legal, o desmatamento permitido em propriedades privadas é de 20% da área, de acordo com as normas do Código Florestal.
Entretanto, 21,3% dos alertas ocorreram em florestas públicas não designadas e 17,4% em áreas sem registro de terras, ou seja, áreas de desmatamento ilegal.
Fechado
O Inpe também apresentou dados de alerta para o Cerrado (savana brasileira), que indicam uma tendência de queda no desmatamento nesse bioma. Em maio de 2026, houve uma redução de 12,2% no desmatamento em comparação com maio do ano anterior.
No período acumulado de agosto de 2025 a maio deste ano, a redução da supressão da vegetação foi de 8,2% em comparação com o período anterior, totalizando 4.208 quilômetros quadrados de floresta desmatada.
No bioma Cerrado, 73,4% do desmatamento ocorreu em terras privadas legalmente registradas. Nesse bioma, até 65% da área pode ser desmatada, o que significa que é legal do ponto de vista da autorização.
Acusação dos EUA
A persistência do desmatamento ilegal no Brasil é um dos argumentos que os Estados Unidos utilizam para justificar a imposição de tarifas adicionais sobre as importações brasileiras. No início deste mês, o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) sugeriu uma tarifa punitiva de 25% em resposta às práticas brasileiras “irrazoáveis” que “oneram ou restringem” o comércio americano.
Segundo a avaliação do USTR, embora o Brasil possua um marco legal para combater o desmatamento ilegal, o país tem um histórico de falhas em sua implementação efetiva.
O ministro João Paulo Capobianco enfatizou que os dados comprovam o contrário.
“O Brasil está agindo de forma objetiva e obtendo resultados comprovados por pesquisas, por estudos científicos, de que a Amazônia está em uma nova conjuntura de controle ambiental, com resultados realmente muito positivos”, afirmou.
O presidente Lula reiterou que os Estados Unidos estão errados em questionar as ações do Brasil contra o desmatamento. “Eles não conhecem o trabalho que estamos fazendo para alcançar o desmatamento zero até 2030”, afirmou Lula sobre as metas ambientais e de combate às mudanças climáticas do Brasil.
“Esta é uma decisão do nosso governo, é uma questão de justiça e da participação do Brasil em ajudar o planeta Terra, cumprindo nossa obrigação de tentar evitar o desmatamento ao máximo e demonstrando que não desmatar é mais rentável do que desmatar”, acrescentou.
O ministro Capobianco também desmentiu a alegação de que o Brasil exporta madeira de origem ilegal. “Toda a madeira exportada pelo Brasil é monitorada. Existe uma cadeia de custódia completa, com um código de barras detalhado; tudo o que é extraído por meio do manejo florestal na Amazônia é devidamente supervisionado.”



