Por Redação Palanque MT
A crise política entre o Executivo e o Legislativo de Várzea Grande ganhou novos desdobramentos após a prefeita Flávia Moretti (PL) acionar a Justiça contra o presidente da Câmara Municipal, vereador Wanderley Cerqueira (MDB), por uma fala considerada ofensiva durante sessão plenária.
A queixa-crime foi protocolada no dia 20 de março e tem como base uma declaração feita por Cerqueira no dia 18, durante discussão sobre um projeto do Executivo que previa a destinação de R$ 6,9 milhões para a compra de medicamentos. Na ocasião, o parlamentar afirmou que o líder do governo, vereador Bruno Rios (PL), poderia “leitear a prefeita”.
Segundo a defesa de Moretti, a expressão tem caráter “ofensivo, pejorativo e degradante”, ao associar a gestora a um animal, o que configuraria ataque à honra e à dignidade. A ação também sustenta que a fala ultrapassa os limites do debate político e pode ser enquadrada como violência de gênero, o que prevê aumento de pena.
De acordo com o processo, a prefeita não estava presente na sessão no momento da declaração, mas foi diretamente atingida. A repercussão do caso gerou manifestações de repúdio, inclusive dentro do meio político.
Embora o vereador tenha se desculpado após a repercussão negativa, a retratação foi direcionada ao vereador Bruno Rios, e não à prefeita, apontada como a principal ofendida.
Paralelamente à ação judicial, o episódio também passou a ser analisado no âmbito interno da Câmara Municipal. O diretório estadual do PL protocolou, nesta segunda-feira (23), um pedido formal de afastamento de Wanderley Cerqueira da presidência da Casa.
A representação sustenta que há conflito de interesse, já que o parlamentar é alvo direto da apuração por quebra de decoro. Para o advogado do partido, Leonardo Benevides, Cerqueira não deve conduzir os trabalhos enquanto responde às acusações.
“Há um impedimento evidente, pois ele está na condição de acusado. A medida busca garantir a imparcialidade do processo”, afirmou.
Caso o afastamento seja acatado, a presidência da Câmara deverá ser assumida pelo vice-presidente até a conclusão da análise pela comissão de ética, que poderá recomendar desde o arquivamento até a cassação do mandato.
O PL também classifica o episódio como violência política de gênero, argumento que sustenta tanto a representação interna quanto a ação judicial. Segundo o partido, o posicionamento de outros vereadores minimizando a fala não reduz a gravidade do caso.
Além da esfera administrativa, o caso segue na Justiça, onde a prefeita pede a condenação do vereador por injúria, com agravante por se tratar de ofensa contra mulher, além de reparação por danos morais.



